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MULHERES NA LITERATURA

Atualizado: 19 de jun. de 2020

“Supõe-se que as mulheres são muito calmas em geral, mas elas sentem da mesma forma que os homens; precisam tanto de exercício para suas faculdades, e de um campo para seus esforços, quanto seus irmãos.” – Jane Eyre


Por Ana Teresa Martins | 21 de Abril de 2020, às 15h00 __________________________________________________________________________________

Quando ouvimos falar de Mulheres na Literatura alguns nomes de escritoras famosas vêm em nossas mentes. Entretanto, devido ao machismo da nossa sociedade, nem sempre foi fácil para as mulheres terem seus livros publicados e as suas vozes ouvidas. Por exemplo, J.K. Rowling e Charlotte Brontë enfrentaram dificuldades até o reconhecimento de suas obras.


A saga Harry Potter (1997) já teve mais de 500 milhões de cópias vendidas e recebeu diversos prêmios, levando a autora, J.K. Rowling a uma carreira notória pelo sucesso dos seus livros. Contudo, todos os seus livros foram e ainda são publicados pelo seu pseudônimo, pois de acordo com a própria, na época do lançamento ela temia que os garotos não fossem se interessar por suas obras. Seu pseudônimo foi inspirado em suas iniciais, pois o nome verdadeiro da autora é Joanne Rowling, contudo, por não possuir segundo nome, escolheu a letra K em homenagem à avó paterna que se chamava Kathleen.


Se no século XXI escritoras ainda têm de lidar com o machismo, no século XIX não era diferente. Jane Eyre, um dos livros de mais sucesso da autora Charlotte Brontë, gerou rebuliço na sociedade britânica do século XIX após seu lançamento, pois a protagonista fugia do estereótipo empregado na época. Charlotte publicou o livro sob o pseudônimo de Currer Bell, entretanto as pessoas já desconfiavam que era de autoria feminina, pois a heroína do romance fazia duras críticas a posição da mulher na sociedade e sua aparência fugia dos padrões. Quando por iniciativa própria Brontë decidiu revelar seu nome, a mesma começou a receber várias cartas criticando seu comportamento, por escrever livros com conteúdo revolucionário. “A literatura não pode ser o objetivo de vida de uma mulher, não deve ser” –

Comentário do escritor Robert Southey em uma carta dirigida a autora. Algumas das mais famosas escritoras brasileiras são mulheres negras. Vale ressaltar que elas enfrentam, além do machismo, a desigualdade social e o racismo durante a formação e também para publicar seus livros. A educação pouco valorizada do nosso país, principalmente nas favelas, dificulta a alfabetização, o acesso a livros e oportunidades para muitas pessoas, inclusive para essas escritoras.

Entre as autoras de destaque, sublinhamos Carolina Maria de Jesus, autora de O Quarto de Despejo. A escritora frequentou escola até o segundo ano do ensino fundamental e por vir de uma família humilde, não tinha livros em casa. Como trabalhava como empregada e catadora de papel, escolhia os papéis em melhores condições para escrever seus textos. Ela relatava como era sua vida, e após conhecer um jornalista conseguiu publicar seu primeiro livro. Porém, não conseguiu manter uma boa fortuna e sofreu muito preconceito no lugar em que vivia.

Maria Firmina de Jesus, considerada a primeira romancista brasileira, é a responsável pelo livro Úrsula, primeiro romance abolicionista de autoria feminina da língua portuguesa. Maria nasceu em uma época de extrema segregação social e racial no Brasil, dava aulas e exerceu por muitos anos o magistério. Pouco se sabe sobre a escritora, pois a maioria dos seus documentos pessoais se perderam.

Muitas pessoas ainda esperam que as mulheres sejam donas de casa e não exponham seus pensamentos. Devido aos preconceitos e à desigualdade social, muitas mulheres não obtiveram e não possuem os merecidos reconhecimentos. Dificilmente ouvimos falar sobre escritoras transsexuais, por exemplo. Hoje, há um número significativo de mulheres no campo literário, relatando sua importância na nossa sociedade e conferindo uma boa dose de conhecimento e entretenimento para todos nós. Por isso, deixo ao final uma relação com nomes expressivos de mulheres que foram e são um marco na literatura:


• Charlotte Brontë • Carolina Maria de Jesus • Maria Firmina de Jesus • Cecilia Meirelles • Clarice Lispector • Conceição Evaristo • Raquel de Queiroz • Colleen Hoover • Jane Austen


Se este texto instigar mulheres a lerem mais, estarei satisfeita, pois como dizia a poetisa e cortesã da renascença Verônica de Franco: “A instrução é o maior triunfo de uma mulher”.

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